Inaugurando esse espaço, vou escrever um pouco sobre o poder de nos fazer sonhar da indústria do entretenimento. Pra mim, toda essa magia envolvida nos filmes que a gente vê, nas peças de teatro que a gente assiste, nas seríeis de TV que a gente acompanha e nos livros que a gente lê, deve-se a dois fatores principais: qualidade e sentimento.
Qualidade é o que garante que o que estamos consumindo seja de agrado para os padrões que estabelecemos. E esses padrões certamente variam de pessoa pra pessoa. Você pode odiar músicas de funk, mas aquele seu vizinho adora e ouve no último volume todos os finais de semana. Assim também acontece quando comparamos os fãs de Paulo Coelho com aqueles que têm verdadeira ojeriza a sua obra. E esses são apenas dois exemplos do vasto mundo cultural que nos cerca.
Se a qualidade agrada os nossos sentidos, uma coisa precisa tocar mais fundo. E aí que vem meu segundo fator: o sentimento. Quando eu digo sentimento você que está do outro lado dessa tela de computador pode, de maneira equivocada, estar pensando em aquele romance, mocinha e mocinho, e coisa e tal. Mas vai muito além: quando você assiste a um filme de terror, o que espera? Sentir medo, certo? E num livro de suspense? Tentar decifrar o próximo passo do enigma enquanto se surpreende com o atual. De uma forma ou de outra, aquilo que você assiste/escuta/lê precisa mexer com você. Fazer rir, fazer chorar, e todas as infinitas etapas que dividem esses dois extremos. E assim como a qualidade, o que faz uma pessoa sentir é diferente do que faz a outra. São dois fatores absolutamente pessoais.
Mas uma coisa é importante: qualidade e sentimento precisam estar juntos. E vamos a alguns exemplos práticos e que aconteceram comigo. Lá pelos anos de 2000, resolveram trazer mais uma vez para o cinema o clássico de terror O Exorcista. Grande filme da época, que apavorou uma geração. Mas quando assisti uma coisa impossibilitou que eu gostasse daquele filme. A qualidade técnica dele bateu de frente com o padrão que eu estabeleci para mim para um efeito especial de qualidade (e isso, ressaltando mais uma vez, é extremamente pessoal). Resultado: ri muito do filme e de seus defeitos que saltavam na tela. Um exemplo de um produto com forte sentimento, mas de qualidade que deixou a desejar. Por outro lado, um exemplo mais recente, podemos ver o que aconteceu com o blockbuster Avatar. Tecnicamente perfeito e até mesmo inovador, o filme não tinha alma. Não passava de uma história batida com uma nova e caríssima roupagem. Enquanto transbordava qualidade, Avatar não tinha, segundo aquilo que criei como modelo de coisa que me toca, nem um pingo de sentimento.
E assim vai caminhando o mundo do entretenimento. Então, não faça cara feia (ou pelo menos não muito feia) quando alguém não gosta exatamente daquilo que você gosta. Porque uma coisa faz a humanidade ser muito mais interessante: somos todos diferentes!